Eu adoro pilates. Eu tinha aula de pilates naquela tarde. Só que eu não fui, não tive vontade e, apesar do clima ruim, resolvi ir a pé até o Starbucks mais próximo para o capuccino de sempre. Capuccino esse que só tomei dois dias depois.
No caminho tinha uma pedra... não, pera... tinha era uma gatinha que eu vi de longe tentando atravessar a avenida mais movimentada do bairro. Os olhinhos assustados eu só vi de perto, porque de longe só o colorido da pelagem é que consegui enxergar. Uma tricolor linda que iria ser atropelada a qualquer instante se continuasse ali. Estava sem coleira, sem plaquinha de identificação, com pelo sujo e áspero. Olhei para as casas ao redor, para as pessoas que passavam e ninguém me parecia ser o responsável por ela e ali ela não podia ficar. O jeito era levar para uma rua mais calma...
| Colorido lindo |
Decisão tomada, como levar um felino desconhecido, morando na rua, sem uma caixa de transporte nem virar humana fatiada? Um minuto de cafuné aceito e foi pro colo sem cerimônia, só com alguns rosnados solenemente ignorados. Primeira rua, muita gente por ali chegando do trabalho, poderiam pensar que eu estava abandonando a gata. Segunda rua, cachorrões andando sem guia, muito perigoso. Bom, se ela ficasse por ali, eu poderia conseguir um jeito de fazer a castração, seria bem melhor. Aliás, eu poderia levá-la ao veterinário para fazer uma avaliação, a última tricolor que entrou na minha vida já era castrada, olha que bom... Será que aceitaria ração? Uma água também seria bom. A barriguinha deve estar vazia e... que barriga grandinha é essa? E as tetinhas inchadas? Pânico.
O jeito era ir já à clínica veterinária pra ver isso. Expediente encerrado e o que fazer com Alana (sim, porque a essa altura já tinha até nome) até o dia seguinte? Nossa casa é território de gatos positivos para FeLV (a leucemia felina), não podemos receber gatos não testados ou negativos sem algum risco. Alana iria passar a noite na garagem de uma casa à venda, a alguns metros da minha. Comeu montanhas de ração e devia estar faminta. Deixei mais ração e água pedindo para ela estar lá no dia seguinte.
E estava. Aliás, pelo nível de cansaço e fome, estaria lá por muitos dias se a veterinária não confirmasse as suspeitas de prenhês. Pânico 2. E agora? Um gatinho recolhido, castrado e devolvido ao seu local de origem dá pra entender e aceitar, mas uma fêmea prenha sozinha não teria muita chance. Marido chegou à mesma conclusão e mandou um "leva pra garagem!". Aliás, nossa garagem (e escritório) já foi o lar temporário de alguns animais, por um dia ou muitos meses. Alana foi a ocupante número 8 e essa é a história de como nos encontramos.
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